A compra de casa em Portugal está ao rubro, tendo mesmo o número de transações atingido um máximo histórico em 2025. Mas a verdade é que no último trimestre de 2025 observou-se um recuo anual do número de venda de casas no país (-3,6%). Portugal é, assim, um dos quatro países da União Europeia (UE) que registou uma queda na venda de casas no final do ano passado.
“No quarto trimestre de 2025, em comparação com o mesmo trimestre de 2024, o número de imóveis residenciais transacionados diminuiu em quatro dos 15 países da UE abrangidos”, nota o Eurostat numa publicação divulgada na terça-feira, dia 7 de abril.
Um destes países é mesmo Portugal, que registou uma queda anual de 3,6% no número de venda de casas no fim de 2025. Ainda assim, os recuos foram mais pronunciados em Luxemburgo (-31,5%), Bulgária (-22,5%), Irlanda (-11,4%).
Ao que tudo indica, foram vendidas menos casas em Portugal, mas por valores mais elevados. Isto porque apesar da queda no número de vendas no último trimestre de 2025, o nosso país foi o segundo da União Europeia onde os preços mais subiram nesse mesmo trimestre (+18,9%).
Todos os outros 11 países da UE registaram subidas no número de casas vendidas, com os maiores crescimentos assinalados na Bélgica e na Eslovénia (+16,0% em ambos os países). O Eurostat nota aqui uma mudança, uma vez que nos três trimestres anteriores – isto é, entre janeiro e setembro de 2025 – “o número de imóveis residenciais transacionados aumentou nos 15 países” que têm dados disponíveis.
Venda de casas em 2025 sobe em Portugal e na maioria dos países da UE
Em 2025 face ao ano anterior, a maioria dos países da UE registou um aumento na vendas de casas. Os maiores crescimentos das transações foram observados na Eslovénia (+26,6%), na Lituânia (+22,8%) e na Bélgica (+20,1%).
Portugal encontra-se a meio da tabela europeia, com um aumento anual na venda de casas de 10,5%. O Instituto Nacional de Estatística revelou recentemente que foram transacionadas quase 170 mil casas durante 2025, tratando-se do “registo mais elevado da série disponível”. Mas também o preço das casas atingiu uma subida recorde de 17,6% nesse ano, num contexto de alta procura e falta de oferta residencial.
Ainda assim, no espaço europeu houve dois países onde o número de imóveis residenciais transacionados diminuiu em termos anuais. As diminuições foram observadas na Bulgária (-2,5%) e na Irlanda (-0,9%), indicou ainda no boletim estatístico.
Sobre as tendências sazonais, verifica-se que na maioria dos países fecham-se mais negócios habitacionais no fim de cada ano e menos no início. “A média do número de imóveis residenciais transacionados foi maior no quarto trimestre em 9 países (Irlanda, Bulgária, Bélgica, Luxemburgo, Países Baixos, Chipre, Espanha, Áustria e Portugal), no segundo ou terceiro trimestre em 6 países (Dinamarca, Hungria, Lituânia, França, Eslovénia e Finlândia) e no primeiro trimestre apenas num país (Polónia). Em 13 dos 16 países (todos, exceto Eslovénia, Hungria e Polónia), o menor número de imóveis residenciais transacionados foi observado no primeiro trimestre do ano”, analisa o Eurostat.
No que diz respeito ao tipo de casas vendidas, concluiu-se ainda que em 10 países da UE (entre os quais Portugal) “o número de transações de imóveis novos durante esse período [2024 e 2025] foi menor do que o de imóveis usados. Isso ajuda a explicar o motivo pelo qual as variações no número de transações de imóveis novos tiveram um impacto menor nas variações totais do número de transações em comparação com as variações no número de transações de imóveis usados”, conclui.
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