Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Promotoras imobiliárias não atiram a toalha ao chão e contam como estão a combater o Covid-19

"Abrem o jogo" ao idealista/news, com as suas estratégias, e mostram-se otimistas sobre o futuro. Acreditam que depois da tempestade vem a bonança.

Prateek Katyal on Unsplash
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Autores: @Frederico Gonçalves, Leonor Santos, Tânia Ferreira

O novo coronavírus chegou de repente, propagou-se rapidamente e está a deixar grandes marcas na economia. Em Portugal e no mundo. O setor imobiliário é um dos que está a “apanhar por tabela”, mas os promotores que estão a desenvolver projetos a nível nacional - à semelhança das agências imobiliárias - prometem não atirar a toalha ao chão. Pelo contrário, mostram-se confiantes e otimistas quanto ao futuro, e consideram que os investidores que têm apostado em Portugal vão continuar a fazê-lo, mesmo que atualmente estejam menos ativos, por força das circunstâncias. O idealista/news foi perceber como o setor da promoção imobiliária está a reagir ao Covid-19 e o que está a fazer para manter vivo o negócio. 

Desafiámos 13 promotoras imobiliárias a responderem a estas questões: 

  • Mantêm a atividade a 100%? As obras pararam ou abrandaram? E o resto do negócio, nomeadamente, planeamento e vendas?
  • Qual a estratégia para lidar e reagir à crise da pandemia? Qual o papel da tecnologia?
  • O que esperar do negócio da promoção imobiliária no curto e médio prazo?
  • Como está a evoluir o interesse dos investidores nos imóveis nacionais? E que perspetivas têm a este nível?

As respostas que recebemos, agora apresentadas por ordem alfabética das promotoras, são reveladoras do estado de espírito destas empresas, que investiram milhões e milhões de euros em novos empreendimentos em Portugal nos últimos anos, sobretudo no segmento residencial. E mantêm essa mesma vontade. De continuar a aposta em construção nova. Desde o luxo a casas para à classe média.

Photo by Macau Photo Agency on Unsplash
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AM48: Alejandro Martins (CEO)

  • Procura e interesse pelo imobiliário português irá manter-se

Estamos a manter a atividade a 100% e seguindo as instruções governamentais de confinamento e proteção dos colaboradores que se encontram a laborar em teletrabalho. Toda a atividade normal continua a decorrer com as adaptações necessárias e a AM48 tem estado em contacto e colaboração permanente com os seus clientes, parceiros e fornecedores. 

As obras não pararam e, apesar deste período difícil, felizmente continuam praticamente em ritmo normal. Esta realidade leva-nos a concluir que tudo o que está planeado irá concretizar-se no calendário previsto. No resto do negócio temos registado, naturalmente e até pelos constrangimentos nas deslocações, que alguns investidores com quem tínhamos processos avançados nos solicitaram um período de reflexão que respeitamos e compreendemos, e por outro lado temos conseguido celebrar Contratos Promessa e Escrituras.

Temos uma visão e uma estratégia muito bem definidas e das quais não nos iremos desviar, pois é isto que se espera duma empresa responsável e solidária. Só com uma postura determinada e proativa ultrapassaremos este adversário. A tecnologia, que já tinha um peso significativo, nesta fase ainda mais preponderância tem. 

O negócio da promoção irá ajustar-se a esta realidade como também se irá ajustar à realidade pós-pandemia. Nenhum dos nossos clientes e/ou parceiros revelou algum desinteresse ou decisão de não continuar a investir em Portugal, pelo que consideramos que o presente período, muito difícil, está a levar a que os investidores reflitam mas sem desistir do interesse e retornos que o investimento no imobiliário, de qualidade, em Portugal proporciona. 

A médio prazo, e considerando que o médio prazo serão 2 a 3 anos, quem não se tiver preparado antes da crise para os próximos tempos irá experimentar dificuldades. Já temos o nosso caminho preparado e em andamento há bastante tempo, pelo que a médio prazo estamos confiantes que a estratégia definida e as decisões que tomámos foram e são as mais corretas para continuarmos a nossa missão.

Estamos confiantes e determinados a manter o interesse dos investidores bem vivo, até porque temos recebido diariamente pedidos de informação comercial e contactos de parceiros internacionais que demonstram que não só em Portugal mas também noutras geografias, a procura e o interesse no imobiliário português se irá manter.

Avenue: Aniceto Viegas (Diretor Geral)

  • Observar com serenidade o mercado

A Avenue é um projeto de médio e longo prazo, que saberá ajustar-se a uma nova realidade de mercado. Sempre tivemos em mente que podíamos ter momentos mais difíceis – obviamente que este surpreendeu-nos a todos, pela rapidez e pelo impacto global. Os projetos em construção continuam e têm os recursos financeiros assegurados para a sua boa conclusão.

Em relação às vendas, felizmente, os ciclos do imobiliário são ciclos de 2 a 5 anos e não necessitamos de medir vendas diárias, quanto muito teremos um adiamento de vendas. O facto de o mercado ter pouco stock produzido, ajuda a evitar uma descida dos preços. Acreditamos que o ritmo de vendas será afetado, ou seja, será mais lento. Quanto aos preços, poderá haver ajustamentos, mas por enquanto caminharemos para uma estabilização. 

No entanto, nesta altura, qualquer projeção é um puro exercício de futurologia cheio de incertezas. Temos de observar com serenidade o mercado e analisar os ajustamentos que deverão ser feitos. Acreditamos que Portugal está melhor preparado para esta crise do que estava na anterior e os governos e os bancos estão a agir rapidamente. 

Na crise do 'subprime', em 2008, houve uma reação mais lenta, mas os governos e bancos centrais aprenderam a munir-se de fortes estímulos, que estão a ser utilizados novamente, mas de uma forma muito mais reativa. Em 2012, a crise da Dívida Pública impactou só alguns países e houve alguma marginalização. A atual crise afeta todos. Por outro lado, os pressupostos da oferta não mudaram, o mercado continua com um stock reduzido de habitação e de escritórios. Em 2012, o mercado tinha um stock que era necessário escoar, antes de reiniciar a sua atividade.

Besix Red: Nicolas Goffin (Head of Portugal)  

  • Repensar como será o mercado imobiliário de amanhã

Permanecemos ativos e demonstrar a nossa “agilidade”. Com o objetivo de proteger a saúde dos clientes, parceiros e colaboradores, e cumprindo as instruções de segurança, continuamos a atividade remotamente. Adaptámos o processo operacional e organizámos as equipas para permanecer o mais próximo possível dos clientes e parceiros.

Como os nossos dois projetos em Portugal (Lisboa), o DUUO (34.000 m2 de residencial) e o Parque Oriente (43.500 m2 de uso misto), ainda estão em fase de licenciamento, a paragem ou desaceleração das obras não nos afeta. No entanto, continuamos em contato com a CML que, apesar da situação, parece estar a agir de forma ativa relativamente ao desenvolvimento dos nossos projetos.

A situação pela qual todos estamos a passar exige uma resposta imediata das empresas. Trata-se de ser flexível e adaptável para garantir a continuidade dos negócios. Montámos uma equipa multidisciplinar interna cuja missão consiste em monitorizar diariamente a situação operacional dos projetos, assegurando o dia a dia dos negócios.

A nossa prioridade é "dar" aos clientes a melhor consultoria possível nas suas opções de investimento e tranquilizá-los em todos os momentos de um processo imobiliário. Fazemos visitas virtuais aos projetos que estão à venda de forma a dar uma resposta imediata ao momento. Também estamos ativamente disponíveis através de videoconferências privadas.

Apesar de um contexto que requer flexibilidade e um plano de continuidade de negócios a curto prazo, estamos a repensar como será o mercado imobiliário de amanhã – que seja flexível, inovador e orientado para o cliente –, através de uma estratégia mais global. Mais que nunca, a situação que vivemos deve levar-nos a reconsiderar as necessidades do mercado, os nossos valores e a maneira como conceberemos projetos futuros. Com esta ambição, estamos a criar um ecossistema que oferecerá novas experiências aos clientes.

Bondstone: Paulo Loureiro (CEO)

  • Imobiliário continuará como "reserva de valor"

Diria que neste momento estamos com um nível de atividade de 60-70% face ao regime normal. Temos neste momento duas obras em curso que se mantêm por enquanto com um nível de produção razoável, tendo sido implementadas medidas adicionais de proteção e segurança. A nível comercial registámos naturalmente uma quebra acentuada nas vendas e recebemos alguns pedidos de cancelamento de reservas de apartamentos. Decidimos assim adiar para o segundo semestre o início da comercialização de dois novos empreendimentos. Adicionalmente, decidimos também suspender temporariamente a aquisição de novos ativos devido à impossibilidade de prever com rigor qual será o contexto do mercado no final deste período.

O efeito negativo da crise provocada pelo Covid-19 durará até que o mercado se volte a reequilibrar e seja possível perceber o seu real impacto nos clientes e nos investidores, o que só deverá eventualmente ocorrer no final do terceiro trimestre (dependendo da evolução da pandemia). É habitual dizer-se que os mercados “utilizam as escadas para subir e o elevador para descer”, pelo que a recuperação nunca será tão rápida como a queda. No entanto, acreditamos que os “fundamentals” de Portugal se manterão e que historicamente o mercado imobiliário é, em momentos de crise, uma “reserva de valor” para os investidores.

Falando em concreto do mercado residencial, acreditamos que a escassez de habitação nova para famílias portuguesas continuará a existir e que a procura recuperará assim que a situação normalizar. No que respeita aos preços de venda ainda é muito cedo para termos uma previsão fiável. No entanto, parece-nos provável que durante o período de ajustamento pós-pandemia possa existir uma ligeira redução, sobretudo em algumas localizações que estavam com preços mais elevados sustentados pela procura internacional.

Durante as últimas duas ou três semanas houve uma paralisação quase total na procura, visto que as pessoas estão fisicamente impossibilitadas de visitar os imóveis e estão naturalmente expectantes sobre os efeitos desta pandemia na sociedade. Acreditamos que a retoma da procura apenas irá ocorrer no segundo semestre, e numa fase inicial será provavelmente mais visível nos clientes nacionais. A procura internacional deverá regressar mais tarde, sobretudo pelas restrições de viagens entre países (que ainda poderão ser estendidas por vários meses) e pelo receio que os clientes naturalmente terão.

COPORGEST: Sérgio Ferreira (CEO)

  • Clima de incerteza vai adiar investimentos

A COPORGEST reparte a sua atividade por 4 unidades de negócio: alojamento local, imóveis de rendimento, promoção imobiliária e uma unidade hoteleira em construção. Desde o início desta pandemia, as nossas unidades de alojamento local tiveram uma paragem total, e assim continuarão até que voltem a existir condições para que os nossos clientes queiram e possam viajar para Lisboa. Nos imóveis de rendimento, existem pedidos de alguns arrendatários para perdão total ou parcial das rendas, atendendo à situação de paragem total e abrupta dos respectivos negócios. É uma situação que temos de considerar. Finalmente, as obras prosseguem em ritmo quase normal, seja na promoção imobiliária, seja na unidade hoteleira. As vendas de produto estão paradas – não há visitas, não há movimento no mercado, as pessoas têm outras prioridades neste momento.

Há muitos meses que apregoo que o mercado imobiliário português estava a caminho de uma desaceleração, em resultado de uma conjugação de vários fatores que fui procurando explicar, para grande irritação de alguns players nacionais. Poucos acreditavam nessa desaceleração, e alguns dos meus concorrentes tentaram disfarçar o arrefecimento que se fez sentir no final de 2019 e início de 2020. O que nenhum de nós imaginou foi que essa desaceleração se agravasse tanto e tão depressa por causa de uma pandemia.

Acredito que essa crise pandémica será ultrapassada em 60 dias, mas o vírus vai persistir e vai condicionar por muito tempo a nossa vida colectiva. A crise económica será profunda: aumento do desemprego, diminuição séria do consumo, maior cautela nos investimentos, redução das exportações, quebra importante nas receitas fiscais, aumento da despesa e da dívida pública. Há quem alimente a esperança de que o imobiliário é um refúgio de eleição nestes momentos de incerteza. Eu acho que num clima de incerteza, quem tem dinheiro tenta mantê-lo a bom recato: evita consumo e adia investimentos. O setor imobiliário sofrerá bastante. Só não sei por quanto tempo. Ninguém sabe. Adorava estar redondamente enganado.

A COPORGEST tem uma estrutura financeira muito robusta e estamos preparados para resistir. Tomarei as decisões que tiver de tomar em função da forma como a situação evoluir e procuraremos, dentro do possível, preservar o emprego. Também todos sabemos que as crises acabam por trazer boas oportunidades. Aqui estaremos portanto a resistir, e muito atentos ao que vier.

Grupo Omega: José Carvalho (CEO)

  • A importância da variável "tempo"

À data de hoje, 1 de abril de 2020, as obras abrandaram, mas não pararam. Deste modo, apenas a área comercial está praticamente parada.

A estratégia a seguir passa fundamentalmente por saber gerir a variável tempo. A inércia própria da atividade não permite parar o que está em andamento, mas pode permitir dosear os projetos, em função do seu estado de desenvolvimento. A atividade imobiliária vive muito de gestão adequada e da qualidade da informação. Nessa medida, a tecnologia permitirá obter dados vitais para a tomada de decisão. 

No curto prazo, ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. Depende, como referi da variável tempo. Curta duração da crise, não provocará grandes mossas. Longa duração poderá ser um rude golpe na atividade imobiliária. No longo prazo, novos ciclos de crescimento virão, pois as necessidades não se esgotaram, quer na reabilitação urbana, que no turismo, quer nos serviços ou na habitação própria.

[Os investidores] estão muito cautelosos, como seria de esperar. Mais uma vez, reafirmo que o tempo será o grande árbitro a ter em conta.

Diana Parkhouse on Unsplash
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Habitat Invest: Pedro Vicente (Administrador/Board Member)

  • Vendas prosseguem e há negócios na calha

Estamos a trabalhar ainda mais. Desde 13 de março que a empresa se encontra a funcionar em pleno, em regime de teletrabalho. Face às limitações da atual conjuntura, acelerámos a nossa atividade, estamos às compras e lançaremos ainda este ano – assim o Município de Lisboa o permita –, pelo menos um grande empreendimento, com 165 frações, destinado ao mercado nacional. Nenhuma das obras parou, dos 10 projetos em curso, representando 580 unidades residenciais. Nas vendas, temos já em curso um plano de contingência, visando superar as limitações que todos sofremos. E estamos a vender. Contamos fechar nos próximos 8 dias vendas de 3,6 milhões de euros.

Quase nada mudou para nós. Temos a felicidade de contar com uma equipa de exceção, cujo elevado profissionalismo e esforço tem permitido superar contrariedades. A uma reunião geral diária, via teleconferência, segue-se que cada um desempenha com normalidade as suas funções. A tecnologia tem sido uma aliada, mas sem surpresas, dado o nosso ecletismo e capacidade de adaptação.

Esperamos algumas dificuldades mas estamos a preparar um regresso à atividade normal musculado. No geral, contamos com um abrandamento acentuado da atividade, que exigirá das estruturas profissionais um enorme esforço de superação. E, depois, uma recuperação lenta, mas sólida. Claro que algumas estruturas mais débeis poderão não resistir ao impacto. Será um processo de seleção, que pode ser duro.

Da parte da Habitat e dos nossos parceiros financeiros de negócios, não sentimos qualquer hesitação nos processos que estamos a analisar conjuntamente. Apenas uma natural apreensão e, eventualmente, uma maior seletividade. De resto, as perspetivas para a empresa são de crescimento sustentado, sendo esta uma via sem regresso. Parece-nos que todos, no mercado, devem adotar idêntica postura, resistindo a alarmismos e catastrofismos fáceis, que em nada nos beneficiarão.

JPS Group: João Sousa (CEO)

  • Não baixamos os braços

Está instalado um clima de incerteza, o que naturalmente também afeta a parte de investimentos imobiliários. Embora as vendas tenham descido a pique, continuam a realizar-se negócios, porque as pessoas têm a expetativa que esta situação acabe por ser ultrapassada num espaço de tempo não superior a seis meses. 

As quebras foram grandes, mas o mercado não está completamente parado. Continuamos a ter em média cerca de 25 contactos/dia de novos clientes interessados nos nossos projetos, e já fechamos negócios neste período, a questão é que relativamente ao período anterior, as vendas naturalmente baixaram, e há muitos clientes com reservas feitas à espera que passe esta fase mais difícil para concretizar os negócios.

Portugal teve como um dos grandes motores da recuperação económica a promoção imobiliária, e temos de saber proteger o que foi conquistado até à data. Não concordo que o caos no setor está para chegar, ou até que já chegou, como muitos apregoam, sendo que este tipo de análise só provoca desconfiança no mercado e assusta as pessoas desnecessariamente. Julgo que vai haver um abrandamento nos negócios, mas acredito que o setor vai ter uma recuperação em “V” e recuperar de forma mais positiva que o esperado. O setor vai ser afetado, sem dúvida, mas a recuperação vai ser superior ao impacto negativo que vamos sofrer.

A empresa está em pleno funcionamento, com grande parte dos trabalhadores em teletrabalho. Também temos as frentes de obra em plena atividade, sendo que estão a trabalhar seguindo todas as normas da DGS. Não baixamos os braços.

Os nossos projetos nunca tiveram preços especulativos, sempre foram valores reais para a classe média em Portugal, dai termos centenas de unidades vendidas e em construção, com os produtos a terem uma valorização muito grande ao longo do tempo, daí que também não consideremos baixar os preços, pois já estão ajustados ao mercado imobiliário e já eram antes desta crise. E continuam a ser muito competitivos.

Level Constellation: Francisco Pereira Miguel (Marketing & Sales Manager)

  • Investidores voltarão a entrar fortemente em ação

A empresa está a funcionar a 100%, apesar da maioria dos elementos da equipa estar a trabalhar em casa, através de acesso remoto ao servidor da empresa. As obras em curso abrandaram o ritmo, mas não pararam, o que nos permite acreditar que seremos capazes de cumprir os prazos de entrega de novos apartamentos dentro dos deadlines acordados com os clientes. Temos três novos projetos a aguardar aprovação da CML, sendo aqui que se vislumbram maiores atrasos em matéria de futuras vendas.

A melhor estratégia neste momento é aguardar serenamente pela evolução da situação de crise, sendo absolutamente vital a disponibilidade de meios tecnológicos que permitam um trabalho à distância eficiente. 

A crise atual atinge o setor imobiliário e os seus agentes de forma muito assimétrica. No nosso caso, que estamos eclusivamente focados no mercado residencial de segmento alto, a curto prazo esperamos diminuição do volume e abrandamento de ritmo das vendas e ajustamentos (para baixo) dos preços de transação. A visão que temos para o médio prazo é o da recuperação da performance registada anteriormente.

Tivemos uma única desistência nas vendas e continuamos a ser sondados por agentes imobiliários e clientes finais estrangeiros. Acreditamos que Portugal mantém intacto o seu índice de atratividade, e que ultrapassado o contexto de crise, os investidores voltarão a entrar fortemente em ação.

Odeon Properties: Jorge Capelo e Julien Dufour (Sócios Gerentes)

  • A importância da tecnologia

No final de fevereiro/início de março, o Covid-19 já era algo que levávamos muito a sério, e preparávamo-nos para o caso de as coisas atingirem o nível que entretanto alcançaram. Desde o início, investimos em tecnologia portátil, gel de álcool, máscaras, luvas e equipamentos de proteção, nomeadamente para que estivessem presentes nos empreendimentos que temos em curso. Agora, a estratégia é garantir que a nossa equipa está em funcionamento, da forma mais eficiente possível, nos respetivos ambientes, tanto os que estão em teletrabalho como os que estão no “terreno”. 

A tecnologia assume agora um papel fundamental, sendo que implementámos o vídeo para fazer reuniões e visitas. Mantermo-nos conetados por telefone, e-mail e até através das redes sociais é agora o nosso dia a dia. Compartilhar novos conteúdos relacionados com o andamento dos empreendimentos em curso, atualizando os ‘renderings’ existentes, fazendo visitas virtuais e vídeos em 3D, é uma ótima maneira de atrair e manter a atenção dos clientes, agora que a maioria das pessoas está em casa.

Quantico-Albatross: Carlos Vasconcellos (Presidente)

  • Fundamentais do mercado português continuam fortes

A Quantico, SA (Q) e o seu parceiro Albatross Capital (A) encontram-se em pleno funcionamento, não tendo nenhuma obra parada. Desde o dia 13 de março, o trabalho de todos os colaboradores não diretamente afetos às obras é feito em regime de teletrabalho, com a manutenção de todas as rotinas operacionais.

As vendas encontram-se logicamente com uma atividade bastante reduzida, dada a impossibilidade de se marcarem visitas físicas. A atividade de tráfego e consultas no site mantém-se ativas, e todas as negociações em curso continuam, nao tendo até ao momento sido cancelados quaisquer contratos ou intenções de compra.

A estratégia passa por tentar manter as obras todas em funcionamento. Estamos a reforçar junto dos mercados e dos clientes e fornecedores que todos os projetos estão totalmente financiados, não havendo qualquer risco de dificuldades de conclusão dos mesmos por motivos financeiros. 

Em tempos de crise, o imobiliário é sempre das classes de ativos de refúgio. Por outro lado, temos a convicção plena de que estamos perante uma crise bem limitada no tempo. No curto prazo teremos seguramente uma dilação de vendas. No médio, longo prazo, esperamos uma rápida retoma e a normalização do mercado imobiliário, liberto no entanto de crescimentos de preços não sustentáveis, tanto ao nível da construção como ao nível das vendas. 

Os fundamentais do mercado português continuam fortes, com mais procura que oferta, pelo que se conseguirmos evitar uma situação de significativo incremento do desemprego e redução de rendimentos das famílias, a necessidade de casas para comprar ou arrendar, bem como de escritórios, ‘student houses’ e centros logísticos, mantém-se.

Tranquilamente, embora muito atentos, estamos todos em modo ‘wait and see’, mas totalmente preparados para estarmos na primeira linha de arranque da reconstrução económica e na normalização das actividades. E Portugal continua a ser um magnífico destino para viver e investir.

Vanguard Properties: José Cardoso Botelho (Diretor Geral)

  • Imobiliáro de luxo sairá reforçado da crise

Estamos a funcionar em pleno, mas em regime de teletrabalho. Ao nível da construção, por ora, todos os estaleiros estão operacionais e em geral não tem havido problemas de maior, exceto um ou outro atraso no fornecimento de equipamentos. As empreiteiras introduziram um conjunto de alterações visando o cumprimento das medidas de proteção individual e até agora não tem surgido qualquer problema.

Em termos de planeamento, mantemos o cronograma de desenvolvimento intacto. A nossa visão é de longo-prazo e estamos financeiramente preparados para desenvolver todos os projetos. O setor imobiliário nacional, nos segmentos onde operamos, sairá reforçado desta crise, a curto e médio prazo, e por isso prosseguimos com a mesma energia e confiança.
Prevemos a manutenção da maioria dos projetos em curso cuja construção já se iniciou. É possível, que nalguns casos, promotores de menor dimensão e capacidade possam tentar vender ou solicitar capitais de terceiros. 

Em geral, no segmento médio-alto, alto e premium acreditamos que no prazo de 6 a 12 meses o mercado irá retomar o seu curso. Nos segmentos mais baixos e especialmente fora de Lisboa, Porto e Algarve é possível que a recuperação seja mais demorada. 

O interesse em Portugal mantém-se, sendo óbvio que nesta fase mais critica é complexo concluir qualquer transação, nomeadamente, pela impossibilidade de viajar. Acredito que Portugal, se ultrapassar esta fase melhor que os seus congéneres europeus, irá atrair ainda mais interesse por parte de investidores e por parte daqueles que consideram ir viver no estrangeiro. Portugal tem hoje uma excelente reputação internacional e o imobiliário é cada vez mais um investimento de refúgio, com tendência para aumentar.

VIC Properties: Luís Gamboa (COO)

  • Arrendamento deverá crescer

A VIC Properties mantém, até este momento, a sua atividade a 100 %. Não existe, até esta fase, nenhum abrandamento ao nível das obras. Os nossos empreiteiros e subempreiteiros têm mantido uma excelente performance, sempre com um grande sentido de responsabilidade em assegurar as medidas de prevenção desta pandemia, ao mesmo tempo que continuam a apresentar níveis de produtividade iguais aos anteriores.

Ao nível do planeamento a nossa meta é concluir os trabalhos dentro das datas que tínhamos anteriormente estipulado. A nossa dúvida prende-se com alguns materiais importados, nomeadamente de Itália onde, como é sabido, as produções se encontram paradas. No campo das vendas, neste momento estamos a concretizar vários negócios que já se tinham iniciado. Simultaneamente, temos registado um aumento crescente de interesse no Prata Riverside Village, que estamos a acompanhar diariamente. Podemos adiantar que com o início da construção de novos lotes do Prata a procura aumentou substancialmente, sendo que o que está a ser comercializado, entre vendas e reservas, está já contratado a 75%.

Desde o primeiro dia que fornecemos diariamente a todas as pessoas presentes na obra máscaras e gel desinfetante, fazemos controle de temperatura à entrada na obra e implementámos uma política de segregação de equipas, para que não haja contacto entre os trabalhadores das diferentes obras que hoje temos dentro do Prata Riverside Village. 

Apesar de toda esta alteração repentina, há setores de atividade que passarão mais incólumes do que outros. Naturalmente, todos os negócios serão afetados com a perspetiva de um aumento do desemprego. Ainda assim, há cada vez mais a perceção de que o ativo imobiliário terá uma volatilidade diferente de outro tipo de investimentos. Acredito que podemos esperar um bom desempenho, mas com alterações ao nível dos agentes que atuam no nosso mercado. Passaremos a ter em Portugal alguns investidores que já estão presentes em outros mercados, nomeadamente investidores institucionais que compram em bloco para arrendamento.