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O mercado da mediação imobiliária em Itália no pós-Covid-19: as previsões da Remax

Dario Castiglia, CEO da rede de mediação imobiliária em Itália, em entrevista ao idealista/news.

Dario Castiglia, CEO da Remax Itália / Remax Itália
Dario Castiglia, CEO da Remax Itália / Remax Itália
Autor: Floriana Liuni

À semelhança do que aconteceu em Portugal, a atividade das agências imobiliárias já começou a ser retomada em Itália, encontrando-se o país – um dos mais afetados na Europa pela pandemia do novo coronavírus – na fase 2 das restrições. Dario Castiglia, CEO da Remax Itália, partilhou com o idealista/news quais são as suas perspetivas de oferta e procura para o imobiliário e para os profissionais do setor nos próximos meses e a longo prazo. A tecnologia faz parte deste caminho.

O que é que podemos esperar da fase 2 para a economia?

No momento, estamos todos um pouco "às escuras", pois esta é uma crise atípica, ditada não por um fator económico, mas sim por um evento repentino extraordinário, algo que aconteceu apenas com os espanhóis, em 1918, quando o mundo era diferente e estava menos interconectado. Na época, após o fim da epidemia, deram-se os “loucos anos 20”, portanto, por analogia, podemos pensar que após esta crise se verificará uma boa recuperação. De qualquer forma, esta pandemia terá, certamente, um impacto negativo, tal como todos os eventos catastróficos.

Podemos pensar que após esta crise se verificará uma boa recuperação. 

Quais são alterações esperadas, a nível de oferta e a procura de imóveis, com o início da fase 2?

Algo mudará. Por exemplo, a procura provavelmente evolucionará no sentido de soluções habitacionais maiores e mais periféricas. O interior de Milão, por exemplo, era ainda bastante snobe porque, dado o maior poder de compra das famílias, era considerado mais vantajoso viver no centro da cidade com os seus serviços e iniciativas. Agora, pode ocorrer uma inversão de tendência: pelo mesmo preço, podemos encontrar espaços maiores com áreas exteriores, como jardins e varandas, em zonas menos centrais, que, neste momento, são mais demandadas.

Tudo isto surge também à luz da redescoberta do trabalho inteligente, uma maneira de trabalhar que exige menos movimento e uma maior necessidade de espaços domésticos que podem ser utilizados para a atividade profissional. A diferença será marcada pela qualidade das soluções propostas. As propriedades bem localizadas e com as qualidades e características exigidas, à luz do referido, serão mais populares e manterão o preço melhor que outras que serão mais penalizadas.

Vale a pena investir em casas de férias tendo em conta a situação atual? 

Setores como turismo, restauração, mobilidade e transportes devem reinventar-se para enfrentar a nova situação, pelo menos até encontrar uma cura para o vírus. O mercado de arrendamento de casas de férias, por exemplo, está a aumentar a sua atividade. Por um lado está a crescer a procura de um lugar onde passar as férias, o mais rápido possível, por outro lado, os arrendamentos devem necessariamente ter em consideração os custos dos protocolos de segurança, que incluem, por exemplo, a higienização dos espaços. Do ponto de vista da compra de uma segunda casa, esta pode ser uma opção interessante, quer para uso pessoal quer para investimento.

As propriedades bem localizadas e com as qualidades e características exigidas, à luz do referido, serão mais populares e manterão o preço melhor que outras que serão mais penalizadas.

Quais são as previsões para o mercado imobiliário em 2020-2021?

Esperamos uma queda de cerca de 10% no número de transações, mas estamos confiantes de que a tendência pode ser em V ou U, com um período de desaceleração que pode durar alguns meses para depois ser seguido por uma recuperação, no terceiro e/ou quarto quarto trimestres de 2021. Um tempo relativamente curto em comparação com a crise de 2008-2011. Obviamente, tudo depende de desenvolvimentos futuros da situação e de medidas governamentais. Se há algo que a pandemia nos ensinou, é nunca mais dar nada como garantido e estar pronto, a nível financeiro e na medida do possível, para situações imprevistas.

O que é que os profissionais do setor aprenderam com o confinamento?

Alguns preferiram esperar e deixar passar a tempestade, e agora terão dificuldades ao reabrir porque não se prepararam. Outros, que aproveitaram o momento para tirar proveito dos novos estímulos que existem, nomeadamente da tecnologia, certamente estarão mais aptos para enfrentar mudanças a longo prazo. E terão a oportunidade de roubar os clientes daqueles que permaneceram inertes, porque, na verdade, não há falta de trabalho.

Nos últimos meses, de fato, foram criadas novas oportunidades ligadas ao confinamento: quem quer mudar de casa para uma zona mais adequada às suas novas necessidades de espaço ou, por outro lado, que, devido à disponibilidade financeira alterada, é forçado a reduzir o tamanho da casa; aqueles casais que se separaram e, por isso, precisam de uma nova casa, ou aqueles que querem encontrar imóveis para arrendar, novos escritórios, etc. Situações que mais que nunca exigem a mediação de um agente.

Os que aproveitaram o momento para tirar proveito dos novos estímulos que existem, nomeadamente da tecnologia, certamente estarão mais aptos para enfrentar mudanças a longo prazo. E terão a oportunidade de roubar os clientes daqueles que permaneceram inertes, porque, na verdade, não há falta de trabalho.

Em que é que um agente imobiliário se deve concentrar nesta fase 2?

A tecnologia é muito importante não para substituir, mas para aprimorar o trabalho dos agentes imobiliários. Ferramentas como visitas virtuais, avaliações remotas etc. tornarão os profissionais mais produtivos e permitirão reduzir as visitas "vazias". Desta forma, o cliente conseguirá obter um perfil de qualidade, em relação às suas preferências, já definidas na visita virtual, e, como resultado, haverá menos visitas e as realizadas serão mais propensas à conclusão efetiva do contrato, com menos perda de tempo para todos e maior vantagem também para o agente, pelo mesmo número de horas gastas. Uma situação em que todos ficam a ganhar. A obrigação que temos agora de confiar na tecnologia superou a desconfiança cultural que muitos tinham em usá-la, mas estou realmente convencido de que o uso dessas ferramentas se tornará habitual também no futuro, pelo menos na fase inicial da seleção de imóveis.

Como vai mudar no futuro o relacionamento entre o cliente e a agência imobiliária?

Será fundamental estabelecer uma relação de confiança e transparência com o cliente, para que ele entenda que a visita virtual não é uma forma de dar uma representação falsa da casa, mostrando apenas os lados positivos e omitindo os negativos, mas uma maneira de aprimorar a transação e ajudar na escolha. Com a mediação tecnológica, o agente terá de ser cada vez mais capaz de conseguir a lealdade do cliente, uma vez que a interação pessoal física ficará limitada por muito tempo. Aqui é importante o uso das redes sociais, através das quais se pode “chegar” às pessoas e ser convincente.

Ferramentas como visitas virtuais, avaliações remotas etc. tornarão os profissionais mais produtivos e permitirão reduzir as visitas "vazias". Desta forma, o cliente conseguirá obter um perfil de qualidade e visitas as realizadas serão mais propensas à conclusão efetiva do contrato, com menos perda de tempo para todos e maior vantagem também para o agente.