Riscos do imobiliário e guerra? Banca mantém alta almofada financeira

BdP obriga bancos a terem 7,9 mil milhões de euros guardados para se protegerem contra eventuais crises.
Banca protege-se do imobiliário e guerra
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal Getty images

Os bancos são obrigados a manter uma alta almofada financeira para se protegerem de eventuais choques na economia, tendo acumulados cerca de 7,9 mil milhões de euros ao cumprir quatro medidas macroprudenciais do Banco de Portugal (BdP). Assim, a banca portuguesa reforça a sua resiliência financeira perante cenários adversos, como a atual guerra no Médio Oriente. E também se protege contra os riscos da alta valorização dos preços das casas e da sua exposição ao crédito imobiliário.

A medida macroprudencial mais recente de proteção da banca contra riscos do mercado é a reserva contracíclica de fundos próprios que aumentou de 0% para 0,75% em janeiro de 2026. E, tal como anunciou o supervisor bancário no último dia do mês de março, esta reserva vai manter-se neste patamar este trimestre.

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“A percentagem de reserva contracíclica de fundos próprios a vigorar a partir de 1 de abril de 2026 manter-se-á em 0,75% do montante total das posições em risco”, indicou o banco central em comunicado. A decisão foi tomada por deliberação do Conselho de Administração do Banco de Portugal, após consulta ao Conselho Nacional de Supervisores Financeiros. Só com esta medida, a banca reserva cerca de 1,4 mil milhões de euros.

O BdP lembrou que “a percentagem de reserva contracíclica de fundos próprios, revista trimestralmente, aplica-se a todas as instituições de crédito, sediadas em Portugal, com posições em risco de crédito sobre o setor privado não financeiro nacional”. E tem como objetivo acumular capital em períodos de crescimento económico para que os bancos possam absorver eventuais perdas em fases de crise, garantindo a resiliência do sistema financeiro.

“Embora se verifique uma trajetória de acumulação de risco sistémico cíclico impulsionada pela persistente valorização dos preços da habitação e pelo crescimento do crédito bancário, o Banco de Portugal mantém a percentagem de reserva contracíclica de fundos próprios em 0,75%”, indicou o supervisor liderado por Álvaro Santo Pereira, que seguirá “a monitorizar a evolução do risco sistémico cíclico e, caso se justifique, poderá adotar ou ajustar as medidas macroprudenciais com o propósito de promover a resiliência do sistema bancário português”.

Mas não ficamos por aqui. Já que a reserva contracíclica de fundos próprios é apenas uma das quatro medidas macroprudenciais do BdP que existem para que os bancos se protejam de potenciais perigos do mercado. Além desta, há ainda a reserva de conservação de fundos próprios (criada em 2016 para acomodar eventuais perdas em cenários adversos), a reserva para outras instituições de importância sistémica (que abrange os maiores bancos nacionais) e a reserva para risco sistémico setorial (garante resiliência da banca face ao risco sistémico do mercado residencial). Com estas quatro reservas, e segundo as contas do Público, a banca é obrigada a ter uma almofada financeira de 7,9 mil milhões de euros.

*Com Lusa

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