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Salgado e Sócrates, "todos-poderos" detidos - resumo 2014

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Autor: Redação

O que parecia impossível acontecer alguma vez em Portugal, afinal aconteceu este ano. O mais importante banqueiro do país e um ex-primeiro ministro foram detidos, dando origem aos maiores escândalos de crimes na história da política e da alta finança nacionais. Ricardo Salgado foi detido no dia 24 de julho. Quatro meses depois foi a vez de José Sócrates ficar em prisão preventiva. Ambos são suspeitos de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção.

A queda do "homem que manda nisto tudo"

O ex-presidente do BES e líder do clã Espírito Santo, uma das famílias mais poderosas de Portugal e com influência direta nos destinos do país durante décadas, foi detido em casa, no Estoril, no âmbito da Operação Monte Branco.

Duas semanas depois, "morreu" o banco que Salgado liderava. A 3 de agosto, o Banco de Portugal tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os ativos e passivos tóxicos do BES, assim como os acionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco - agora em processo de venda.

Ricardo Salgado tinha antes tentado mandar as culpas da quebra financeira do Grupo Espírito Santo (GES) para cima do contabilista, mas Francisco Machado da Cruz veio afinal revelar que o ex-presidente do BES tinha conhecimento de que faltava dinheiro no passivo.

Crimes graves na família Espírito Santo

As "irregularidades graves" e os mil milhões de euros de dívida escondida nas contas da Espírito Santo International (ESI) já tinham começado a chamar a atenção da justiça portuguesa há algum tempo.

Suspeitas de burla, infidelidade e falsificação de documentos. Estes foram, entretanto, os indícios criminais que o Banco de Portugal recolheu da investigação à gestão do BES, liderada por Salgado, e que remeteu, em setembro, para o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

Mas o "dono disto tudo", como era conhecido, já saiu em sua defesa, declarando que "vou lutar pela honra e dignidade, minha e da minha família". Apesar de todas as evidências que fazem de Salgado o principal suspeito de crimes graves, o patriarca do clã Espírito Santo e presidente do BES durante mais de mais de 20 anos, rejeita ser o responsável pela queda do banco e do império familiar.

Carteira de imóveis congelada e shoppings à venda

O Novo Banco, que resultou do antigo BES, herdou, entre muitas outras coisas, uma vasta carteira de imóveis. Mas está impedido de concretizar qualquer operação de venda dos cerca de 15 mil ativos imobiliários que tem, avaliados em cerca de 2 mil milhões de euros, devido a problemas de tramitação legal.

Mas há um conjunto de imóveis que o Novo Banco pode e quer vender: no total são nove shoppings, entre os quais o Campera, Beloura e Leiria Retail Park, que a instituição está a promover.

O primeiro ex-líder de Estado detido em Portugal

2014 vai também ficar marcado para sempre na história recente de Portugal, como o ano em que pela primeira vez um ex-primeiro-ministro foi detido por suspeita de vários crimes graves.

José Sócrates rejeita, no entanto, todas as acusações: "As imputações que me são dirigidas são absurdas, injustas e infundamentadas", declarou dias depois de ter ficado em prisão preventiva.

Muitas das suspeitas sobre o ex-governante estão relacionadas com casas que terá comprado, através de um "testa de ferro" - o empresário e seu amigo pessoal. Carlos Santos Silva.

Carlos Santos Silva: amigo ou "testa de ferro"?

Um dos imóveis em causa é um apartamento de luxo em Paris onde Sócrates viveu  e que é propriedade de Santos Silva.

O nome do seu amigo pessoal surge, por outro lado, associado à compra das casas da mãe de Sócrates.

Maria Adelaide Monteiro começou a vender as suas casas no dia a seguir às eleições. E foi o amigo do ex-primeiro-ministro que comprou todo o património de Maria Adelaide Monteiro, menos uma casa de forno em Alijó com 30 metros quadrados.

No total, Carlos Santos Silva tem um conjunto de casas avaliado em cerca de 5,5 milhões de euros.