Atraso na construção de casas deve-se a dificuldades em cumprir prazos

"Não são constrangimentos financeiros que nos limitam (...). Temos dificuldade é em cumprir os prazos", diz Luísa Salgueiro.
Atrasos na construção de casas
Foto de SAMS Solutions na Unsplash
Lusa
Lusa

Os municípios não têm atualmente problemas financeiros para construir habitação, mas dificuldades em executar e cumprir prazos, segundo a presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), Luísa Salgueiro. “Não são constrangimentos financeiros que nos limitam neste momento, porque as construções e requalificações de habitações estão financiadas. Temos dificuldade é em cumprir os prazos”, disse a representante, em entrevista à Lusa.

Antecipando o XXVI Congresso da ANMP, que decorrerá no dia 30 no Seixal, no distrito de Setúbal, a autarca contou que o “grande problema” destas autarquias se refere aos prazos porque até chegar à fase de construção o “processo é muito moroso”.

Publicidade

“Porque é que o país não vê as casas? Há tantas casas previstas, mas elas não surgem porque nós estamos num processo muito moroso a identificar os terrenos, libertar os terrenos, contratar projeto, adaptar o projeto às regras, lançar empreitadas e escolher empreiteiro”, explicou.

"Porque é que o país não vê as casas? Há tantas casas previstas, mas elas não surgem porque nós estamos num processo muito moroso a identificar os terrenos, libertar os terrenos, contratar projeto, adaptar o projeto às regras, lançar empreitadas e escolher empreiteiro"
Luísa Salgueiro, presidente da ANMP

Apesar de ser um processo complexo, a socialista acredita que dentro de algum tempo o país vai começar a assistir à construção e à disponibilização dos fogos previstos.

Luísa Salgueiro, que também assume a liderança da Câmara de Matosinhos, no distrito do Porto, referiu que os municípios estão a fazer um “esforço enorme” em matéria de habitação porque têm verbas “absolutamente determinantes” para poderem vencer os atuais constrangimentos nesta área.

De acordo com a autarca, o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e as estratégias locais de habitação “estão em franca execução”, depois do compromisso assumido com o país: “Estamos a acelerar muito no sentido de construir as habitações.”

Por isso, sublinhou, a principal preocupação dos municípios neste momento é executar e, a par do Governo, os autarcas estão a trabalhar com as consequências de que dispõem “para que o país vença esta grande dificuldade que é a de garantir uma casa digna para todos”.

Um problema chamado aumento de juros e despejos 

Contudo, o aumento das taxas de juro, as dificuldades que as famílias têm em pagar, o crescente número de despejos e o aumento do preço do metro quadrado, sobretudo nas grandes cidades, dificultam a missão.

Estes fatores agravantes dos problemas da habitação, sublinhou, não dependem nem dos municípios, nem do Governo.

Por este motivo, Luísa Salgueiro considerou que ninguém sabe se o pacote Mais Habitação, lançado pelo Executivo e viabilizado no Parlamento pela maioria socialista, vai conseguir ajudar a resolver a situação: “Esse é o objetivo, mas se vai resolver ou não o problema vamos ter aguardar para ver.”

O Mais Habitação, recordou, foi muito trabalhado entre a ANMP e o Governo e, apesar de uma evolução positiva nas negociações, há pontos que ainda não merecerem total concordância por parte das câmaras, em matéria de licenciamento de Alojamento Local (AL) e de regime fiscal nas áreas de reabilitação urbana.

Luísa Salgueiro destacou que o programa – muito criticado por vários autarcas, inclusive os presidentes de Lisboa e do Porto, o social-democrata Carlos Moedas e o independente Rui Moreira - ainda não é um assunto fechado, já que a sua regulamentação será “agora uma fase decisiva”.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vetou o decreto que reunia as principais alterações à legislação da habitação - com mudanças ao nível do arrendamento, dos licenciamentos ou do AL - aprovadas em julho no parlamento pelo PS, que já anunciou que irá confirmá-la.

A lei será novamente discutida na Assembleia da República esta quinta-feira (21 de setembro de 2023).

Para poder comentar deves entrar na tua conta

Acompanha toda a informação imobiliária e os relatórios de dados mais atuais nas nossas newsletters diária e semanal. Também podes acompanhar o mercado imobiliário de luxo com a nossa newsletter mensal de luxo.