Investimento na habitação vai abrandar por novas subidas da Euribor

BdP projeta subida da Euribor a 3 meses para 2,4% este ano. Inflação ficará em 3,1% e PIB deverá manter-se.
subida dos juros no crédito habitação
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Os mais recentes indicadores económicos projetados pelo Banco de Portugal (BdP) não são animadores. Num contexto marcado pelo conflito no Médio Oriente, o regulador prevê um aumento da inflação para 2026, mantendo a estimativa sobre o crescimento económico. Além disso, reviu em alta as projeções da Euribor, admitindo que “as condições monetárias e financeiras deverão tornar-se mais restritivas”, tendo impacto em baixa no investimento em habitação.

“No balanço entre os riscos de aumento da inflação e de abrandamento económico” gerados pela guerra no Irão, as expetativas de mercado continuam a apontar para “um aumento das taxas de juro”, assinalou o BdP no Boletim Económico divulgado esta segunda-feira, dia 15 de junho. 

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É neste contexto que o supervisor liderado por Álvaro Santos Pereira espera que a Euribor a 3 meses passe de 2,2% em 2025 para 2,4% em 2026. No ano seguinte deverá aumentar para 2,8% e em 2028 estima-se que vá desacelerar ligeiramente para 2,7%. “Face a março, estas projeções foram revistas ligeiramente em alta em 2026 e 2027 (0,1 e 0,2 pontos percentuais, respetivamente)”, refere ainda.

A subida da Euribor a 3 meses tem impacto nos créditos habitação a taxa variável contratados com esse prazo – sendo também um indicador de curto prazo sobre a evolução dos juros. Por outro lado, este incremento pode ajudar a rentabilizar poupanças nos certificados de aforro que estão diretamente ligados à Euribor a 3 meses.

É neste panorama de subida dos custos de financiamento que o BdP prevê que o investimento em habitação cresça apenas 2,4%, em média, em 2026–28. Trata-se de uma revisão em baixa face às previsões de março sobre a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) em habitação para o mesmo triénio, de 2,6%. E é bem mais baixa em comparação com a FBCF na habitação entre 2024 e 2025, que se fixou em 5,5%.

Este travão ao investimento em habitação por parte das famílias é explicado não só pelo aumento dos custos no crédito habitação, mas também pela “desaceleração do rendimento disponível das famílias e de aumentos mais contidos da população”, informa o banco central.

A revisão em alta da evolução da Euribor a 3 meses surge num cenário de agravamento da política monetária por parte do Banco Central Europeu (BCE) em junho, com o aumento das taxas de juro diretoras em 25 pontos base para prevenir uma espiral inflacionista impulsionada pela guerra. A decisão tomada na passada quinta-feira, dia 11 de junho, foi elogiada por Álvaro Santos Pereira. E os analistas acreditam que haverá novos aumentos dos juros do BCE este ano.

Inflação atingirá 3,1% este ano e PIB vai manter-se

“A guerra no Médio Oriente e o aumento acentuado dos preços da energia impulsionaram a inflação e deprimiram o sentimento económico”, conclui o BdP no boletim. Mas, enquanto as previsões sobre a inflação foram revistas em alta, as projeções sobre o Produto Interno Bruto (PIB) mantiveram-se.

Agora, o supervisor bancário antecipa que a inflação vai atingir os 3,1% este ano, e regressar a valores próximos de 2% nos anos seguintes. "A subida da inflação em 2026 reflete, em larga medida, o aumento do preço do petróleo associado à guerra no Irão, que afetou uma parcela significativa do abastecimento mundial de matérias-primas energéticas", lê-se no documento.

Quanto à evolução PIB, o BdP manteve a previsão de crescimento da economia portuguesa em 1,8% em 2026, sendo ainda assim mais pessimista do que a do Governo, que estima um crescimento de 2% este ano. Já para os próximos anos as projeções do banco central são de um crescimento de 1,6% em 2027 e 1,8% em 2028.

A par disso, o BdP prevê ainda um défice de 0,2% do PIB este ano, mais pessimista do que a previsão de um saldo nulo do Governo, e um saldo negativo de 0,5% em 2027 e 2028. Segundo o Boletim Económico, esta projeção reflete a "incorporação de novas medidas, no âmbito do pacote da habitação (0,1% do PIB), dos apoios a famílias e empresas afetadas pelas tempestades e das decorrentes despesas de reconstrução (0,4% do PIB) e da mitigação do aumento dos preços da energia (0,1% do PIB)".

"Apesar da deterioração na situação orçamental, Portugal mantém-se como um dos poucos países da área do euro com um saldo orçamental próximo do equilíbrio ou em excedente", lê-se no documento. Já a dívida pública deverá continuar a trajetória de redução, para 85,7% do PIB este ano, 82,5% em 2027 e 79,5% em 2028, segundo as estimativas do banco central.

Quanto ao impacto do conflito na economia, o governador salientou que dependerá bastante da duração da guerra. Os EUA e o Irão preparam-se para assinar esta semana o acordo de paz alcançado com a mediação do Paquistão que permitirá desbloquear o estreito de Ormuz, embora persistam dúvidas sobre a questão nuclear e os fundos iranianos congelados.

Álvaro Santos Pereira salientou que, se se concretizar, este acordo é uma notícia positiva, o que "vai ajudar a economia". Ainda assim, ressalvou que poderá demorar algum tempo a sentir-se o efeito. Mesmo se o estreito de Ormuz fosse aberto hoje, ainda iria "demorar alguns meses para todas as operações voltarem ao normal", disse o governador, tendo em conta que "houve instalações petrolíferas e de gás que foram atingidas" e também que "para reativar todas as centrais vai demorar algum tempo".

*Com Lusa

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