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Promoção imobiliária em alta: Bondstone tem 4 novos projetos na calha

Aposta passa pelo segmento residencial e de logística. Projetos visam dar resposta aos novos hábitos de consumo dos portugueses.

Bondstone tem 4 novos projetos na calha
António Pereira Dias, CFO do grupo Bondstone | Projeto The Coral, em Cascais / Créditos: idealista/news | Bondstone
Autores: @Frederico Gonçalves, Luis Manzano

O grupo Bondstone tem vários empreendimentos residenciais em carteira, como o Greenstone, no Porto, e o The Coral, em Lisboa. Mas há novidades na calha. António Pereira Dias, Chief Financial Officer (CFO) do grupo Bondstone, revela ao idealista/news que serão lançados em breve quatro projetos novos. “Grande parte deles são residenciais, mas também há algumas soluções de logística, de parques logísticos. São processos que ainda estão numa fase confidencial, por isso não podemos falar com grande detalhe. Mas queremos até ao final do ano fechar este 'pipeline'”. 

António Pereira Dias adianta que se encontram, sobretudo, em Lisboa e nas áreas circundantes e também na zona do Algarve, numa conversa que se realizou durante o Salão Imobiliário de Portugal (SIL).

“São projetos que são uma aposta firme para Portugal e para os novos hábitos de consumo dos portugueses e também das empresas nacionais, no caso da logística. Mas são também projetos bastante maiores daquilo que temos feito até agora. E queremos fechá-los este ano. Estamos a falar de um investimento global, só nestas quatro oportunidades, superior a 200 milhões de euros, que é, ainda assim, apenas uma parte do nosso compromisso de investimento em Portugal nos próximos anos”, conta sem poder entrar em grandes detalhes sobre os projetos em causa, segundo diz.

"(...) O nosso 'pipeline' de novos projetos está a começar a ganhar forma, a ficar bastante robusto (...)"

Uma lógica de investimento, de resto, que terá continuidade: “A nossa perspetiva não é só aquilo que queremos fechar até ao final deste trimestre, mas também aquilo que temos no curto/médio prazo para 2022. A verdade é que o nosso 'pipeline' de novos projetos está a começar a ganhar forma, a ficar bastante robusto, e estamos convencidos que 2022 vai ser pelas melhores razões um ano muito trabalhoso e ocupado”. 

The Coral encontra-se em Cascais
The Coral, em Cascais, começou a ser construído em setembro de 2021 / Bondstone

Greenstone e The Coral com muitos interessados

Sobre o Greenstone e o The Coral, os dois projetos que o grupo Bondstone tem atualmente em andamento e que foram lançados em plena pandemia da Covid-19, “têm tido bastante sucesso comercial”, diz António Pereira Dias. “No caso específico do de Cascais [The Coral], iniciámos a construção há duas semanas [final de setembro], mas a esmagadora maioria das unidades [são 15 apartamentos] já está vendida”, acrescenta, salientando que se trata de projetos “vocacionados para o segmento mais premium”. 

“O cliente que temos em Cascais é bastante diferente do cliente típico que temos no Porto. O Greenstone é um projeto que, apesar de ter uma enorme qualidade e de ser um projeto premium, acaba por ser, inevitavelmente pela geografia, para famílias locais. A esmagadora maioria dos compradores são famílias do Porto ou de zonas limítrofes da cidade que querem viver numa zona privilegiada perto do mar, próximo de amigos e familiares", explica o CFO do grupo Bondstone, indicando que "no The Coral, embora seja também um produto premium, o que estamos a ver é que a maioria são clientes internacionais, que olham para Cascais como destino de férias, como destino de segunda ou terceira habitação e que querem ter um produto de luxo para o seu tempo de lazer”.

The Coral vai trazer 15 novas casas a Cascais
The Coral, em Cascais, terá 15 apartamentos e está praticamente vendido / Bondstone

Pandemia? “Já não estamos a fazer navegação à vista”

Quando questionado sobre o impacto da pandemia no negócio do grupo Bondstone, o responsável confirma que no início houve, como seria de esperar, “uma enorme instabilidade e incerteza”, mas reconhece que a empresa e o setor acabaram por fintar a Covid-19. “Já não estamos a fazer navegação à vista e já temos alguma noção do que é que vai ser o futuro mais próximo. É verdade que temos a sorte de não termos sido totalmente bloqueados na nossa atividade, mas este não é um tema que nos é indiferente”.

"Continua a haver capacidade de fazer bons projetos e continua a haver cada vez mais interesse dos investidores”

Por resolver continuam os atrasos nos processos de licenciamento: “As estruturas de custos continuam a crescer e os preços também, não só na saída, mas também à entrada, na compra dos projetos. Agora menos, mas durante os últimos 18 meses sofremos atrasos, de licenciamento ou mesmo no processo de construção, nos materiais. É um problema que se vai arrastando ao longo do tempo e que continua a ser um desafio”. 

António Pereira Dias mostra-se, no entanto, otimista. Até porque, confirma, “continua a haver capacidade de fazer bons projetos” e “continua a haver cada vez mais interesse dos investidores”. 

Greenstone vai trazer 36 novas casas ao Porto
Vista aérea do Greenstone, no Porto, que terá 36 casas / Bondstone

O que mudou na procura de casa com a pandemia?

A pandemia obrigou as pessoas e ficarem “fechadas” em casa, tendo o lar sido de tudo um pouco. Serviu, por exemplo, para estudar, trabalhar e brincar, tudo ao mesmo tempo. Será que as novas casas estão a ser pensadas para dar resposta a estes novos desafios? Terão áreas maiores, por exemplo, e zonas especificas para teletrabalhar

“Isso foi uma enorme preocupação que tivemos, que os novos projetos que estão agora a iniciar estejam direcionados para os novos hábitos de consumo. Temos a preocupação de assegurar tanto quanto possível grandes zonas exteriores, que têm mais a forma de varandas ou terraços do que propriamente logradouros. Além disso, como são projetos maiores, com mais frações, também permitem uma ocupação diferente dos espaços comuns. Temos, por exemplo, a preocupação de ter zonas onde possa haver um espaço de coworking. Era uma tendência que já existia pré-Covid, mas que agora foi intensificada”, responde o responsável.

Greenstone, no Porto, está a atrair muitos investidores
Maioria dos compradores do Greenstone são do Porto / Bondstone

Aposta passa também pelo ‘Build To Rent’

E a verdade é que, devido aos novos hábitos de consumo e ao facto dos investidores internacionais estarem a olhar para produtos diferenciados, “tem havido uma enorme pressão” para todos os players do mercado encontrarem e desenharem “soluções daquilo que se chama os ‘Living sectors’, ou seja, não só construção com vista à compra, mas também com vista ao arrendamento, inclusivamente soluções de coliving, student housing e outras soluções que na prática estão relacionadas com ‘beds’, com camas”, conta António Pereira Dias.

"O ‘Build To Rent’ é um dos nossos focos de investimento. Estamos ativamente a olhar para o mercado e temos algumas coisas em carteira que queremos lançar em breve, é nesse sentido que estamos a batalhar”

Há ainda, porém, alguns obstáculos no caminho, sendo esta “uma equação muito difícil de fechar em Portugal”. “Primeiro porque o mercado, do ponto de vista económico, está muito vocacionado para a venda, e os preços aceleraram nos últimos 10 anos a uma velocidade muito superior aos do arrendamento. Por outro lado, o enquadramento legislativo em vigor ainda não se compatibilizou muito com esta nova tendência".

Mas o responsável está convencido que "será uma questão de tempo até nós conseguirmos de alguma forma definir não só a nível nacional mas de câmara para câmara qual é a estrutura que tem de se desenhar para se criar uma solução de coliving ou de student housing", dando nota que "esta tem sido uma preocupação grande para nós", sendo o ‘Build To Rent’ um dos seus focos de investimento. "Estamos ativamente a olhar para o mercado e temos algumas coisas em carteira que queremos lançar em breve, é nesse sentido que estamos a batalhar”, remata.