Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

Construção: A crise veio para ficar – resumo 2013

Em 2012, construíram-se menos 50% de edifícios que há dez anos.
Autor: Redação

Não há dúvidas de que o setor da construção é dos que mais tem sentido as consequências da crise económica e financeira. Tal como sucedeu em anos anterior, 2013 fica marcado por inúmeras insolvências no setor, que conduziram a uma elevada extinção de postos de trabalho e, consequentemente, ao aumento da taxa de desemprego. Para escapar à escassez de empreitadas existente no País, muitas construtoras viram-se forçadas a apostar nos mercados estrangeiros. Uma tendência cada vez mais recorrente e que se deve manter em 2014.

Uma certeza, de resto, confirmada recentemente por Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e Imobiliário (CPCI). Segundo o responsável, desde 2000 que o setor tem vindo a incrementar a sua presença no exterior, registando-se uma “assinalável taxa de crescimento médio anual de 29,8%”.

No início do mês, soube-se que a construtora MSF assinou no Qatar um contrato no valor de 280 milhões de euros com a empresa local Ashgal. Em causa está a reabilitação de uma zona industrial. A confirmar esta tendência de internacionalização da construção está a alegada intenção das empresas nacionais apostarem em mercados africanos. Na Namíba, por exemplo, o governo anunciou que prevê construir nove mil fogos até final de 2014 e 12 mil fogos nos anos seguintes.

A animar o setor esteve durante boa parte do ano, no entanto, a Soares da Costa. Isto por causa da entrada do empresário angolano António Mosquito no capital do grupo, que deverá assumir o controlo da empresa até final do ano, após um investimento de 70 milhões de euros. Paralelamente, a Soares da Costa anunciou, em agosto, que foram adjudicadas obras a empresas suas participadas nos EUA e em Moçambique no valor de 70 milhões de euros. Números que ajudam a construtora a “fintar” a crise, já que no ano passado, e face a 2011, a empresa teve um prejuízo de 47 milhões de euros.

Também a Teixeira Duarte e a Mota-Engil, as outras duas grandes construtoras nacionais, optaram pelos mercados internacionais para contorna a escassez de empreitadas em Portugal: A Mota-Engil assegurou as primeiras empreitadas em dois mercados da América Latina, no Brasil, na Colômbia e também no Peru enquanto a Teixeira Duarte concluiu que a maior parte da sua faturação (75%) foi conseguida no estrangeiro. Por falar em Mota-Engil, referir que as suas ações em bolsa dispararam – já no final do ano – para 6,4%, após o anúncio da possível entrada em bolsa da 'sub-holding' Mota-Engil África numa praça europeia fora de Portugal.

E como contra factos não há argumentos, aqui ficam alguns números/dados que permitem concluir que não parece haver luz ao fundo do túnel para o setor da construção,  isto apesar do Governo ter lançado, em março, um plano com 50 medidas que visa reanimar o setor: Mais 20 mil desempregados que há um ano; Setor perdeu 83 mil postos de trabalho no ano passado; Menos de dez mil casas serão construídas em 2015; Oito em cada dez novos desempregados são da construção; Construção perdeu mais de 71 mil empregos no último ano; Em 2012 construíram-se menos 50% de edifícios que há dez anos; Portugal com a maior queda de produção na construção na UE.

Notícias relacionadas

- Um ano de nova lei das rendas - resumo 2013

- Crédito à habitação: Prestação continua a descer – resumo 2013

- Em nome da reabilitação – resumo 2013

- A polémica do certificado energético – resumo 2013

- Golden Visa: Luz ao fundo do túnel no setor? – resumo 2013

Artigo visto em
(idealista news)