Notícias sobre o mercado imobiliário e economia

2019, o ano da construção nova

Mega empreendimento Prata Riverside Village está a nascer em Marvila, na zona ribeirinha de Lisboa / VIC Properties
Mega empreendimento Prata Riverside Village está a nascer em Marvila, na zona ribeirinha de Lisboa / VIC Properties
Autor: Redação

As promotoras imobiliárias estão cada vez mais a apostar na construção nova. Um cenário que já se verificava no ano passado, conforme escrevemos, e que ganhou ainda mais força este ano. Esta é, de resto, uma das soluções apontadas por vários intervenientes do setor para colmatar o “problema habitacional” do país, aumentando a oferta e contribuindo para ajustar os preços das casas, que dispararam nos últimos anos, apesar de agora haver sinais de algum abrandamento. Uma coisa é certa, faltam casas no país, nomeadamente na capital. 

Em maio, neste artigo, demos conta de que a obra nova estava a renascer em Portugal. O resultado? Mais oferta de prédios e casas, num momento em que a procura está em alta e há falta de produto no mercado para dar resposta, sendo que (quase) diariamente chegam ao mercado informações de novos projetos de promoção imobiliária um pouco por todo o país, mas sobretudo em Lisboa e no Porto.

Os meses passaram e a tendência manteve-se. Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), dizia-nos, em outubro, que a solução para o problema da habitação no país “é haver, primeiro, um ajuste de preços”. “A outra parte da solução é a construção nova. A reabilitação não chega e a maior parte é feita no centro das cidades, onde os preços são elevados. Ou seja, precisamos de construção nova em sítios onde os preços para a bolsa portuguesa estejam mais baratos”, contava.

Uma opinião partilhada também por João Pedro Pereira, membro da Comissão Executiva da ERA, que em entrevista conta que “ainda há espaço no mercado para mais projetos de construção nova”. “A oferta demora muito tempo a reagir porque é preciso construir as casas. É preciso encontrar o sítio para construir, é preciso obter licenças, é preciso fazer a construção e, portanto, demora vários anos até que a oferta no mercado imobiliário reaja às condições macroeconómicas, agora bastante favoráveis”, destaca.

Ainda em outubro, mês em que se realizou mais uma edição do Salão Imobiliário de Portugal (SIL), foi notícia o facto da maioria dos promotores e investidores imobiliários (75%) pretender lançar novos projetos nos próximos três meses, segundo resultados do Portuguese Investment Property Survey. O próprio SIL foi, de resto, uma espécie de montra dos novos projetos que estão ou vão nascer no país. Sobre o evento, Sandra Fragoso, dizia-nos na altura que quem visitasse a maior e mais importante feira imobiliária do país teria a oportunidade de conhecer em primeira mão “vários lançamentos de empreendimentos para a classe média e de construção nova”, o que mostra “que o mercado está a acompanhar a procura”.  

A provar (também) que a construção nova tem estado ao rubro estão os dados de entidades como a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) e o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Segundo este último, no 3º trimestre de 2019, foram licenciados 5,7 mil edifícios, mais 5,9% que no período homólogo. Por categorias, os edifícios licenciados para construções novas registaram um acréscimo de 6,2% enquanto o licenciamento para reabilitação aumentou 3,9% face ao mesmo período do ano passado.

Custos de construção nova disparam

Se é verdade que a construção nova está a ganhar terreno no mercado, também os custos estão a subir em flecha. Trata-se, de resto, de um dos problemas mais reclamados pelos intervenientes do setor. Em janeiro, por exemplo, os custos de construção de habitação nova aumentaram 2% face ao mesmo mês do ano anterior. E é sobretudo a mão de obra que está mais cara, tendo aumentado 4% em fevereiro em termos homólogos e 4,3% em maio, por exemplo. 

Alguns empreendimentos que foram notícia em 2019:

Algumas notícias sobre promotoras a ter em conta: