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Quando a história se repete: venderam-se mais casas (e preços dispararam) em 2018

Glauco Zuccaccia/Unsplash
Glauco Zuccaccia/Unsplash
Autor: Redação

Comprar casa em Portugal é cada vez mais caro. E a venda de imóveis acompanha esta evolução. A tendência já vem de 2017 e voltou, este ano, a confirmar-se, apesar de no segundo e terceiro trimestres do ano a subida de preços ter abrandado, em termos homólogos. A verdade é que com ou sem bolha imobiliária – muitos especialistas desvalorizam o tema –, a subida de preços é notória, estando Portugal no radar dos investidores imobiliários. Continuará a ser assim em 2019?

O ano arrancou com uma pergunta que muitas pessoas podem (e devem) fazer: comprar ou arrendar casa? É, de facto, um dilema sem fim à vista e que exige fazer (muitas) contas. 

Estávamos ainda nos primeiros dias do ano quando noticiamos, a partir de dados do índice de preços do idealista, que o preço das casas aumentou 5,5% no último trimestre de 2017 face ao trimestre anterior. Alguns dias depois, o Eurostat revelou que Portugal teve a terceira maior subida no preço das casas entre os países da União Europeia (UE). Trata-se de um aumento de 10,4% num ano. Também o Instituto Nacional de Estatística (INE) veio confirmar que os preços dispararam: o valor mediano dos preços dos alojamentos familiares vendidos no país subiu para 912 euros por metro quadrado (m2) no terceiro trimestre do ano passado, um aumento de 7% face ao período homólogo. 

Segundo a entidade, o município de Lisboa continua a ser o mais caro do país, com o preço mediano de venda de habitações a fixar-se em 2.315 euros por m2 – mais 15,5% que no período homólogo.

Há 25 anos que preços não subiam tanto

A Confidencial Imobiliário (Ci) veio, entretanto, revelar que os preços das casas estavam a atingir valores mais próximos dos níveis pré-crise e que há 25 anos que os mesmos não subiam tanto. E estávamos ainda em março…

Pelo meio, a Comissão Europeia (CE) disse que, afinal, os preços das casas em Portugal não estão “assim tão altos”. O cenário haveria, no entanto, de mudar com o passar dos meses. Em abril voltávamos a noticiar – tendo por base o índice de preços do idealista – que Lisboa continuava a ser a região mais cara do país para comprar casa e que os preços tinham subido 3,8% em três meses: no primeiro trimestre de 2018 face ao último de 2017. 

O aviso do Banco de Portugal 

A meio do ano, o Banco de Portugal (BdP) disse que estavam a haver sinais de sobrevalorização no imobiliário residencial, sobretudo devido ao investimento de estrangeiros - mais do que à concessão de crédito. Dias depois, a Associação Portuguesa de Promotores e Investidores em Imobiliário (APPII) deixava outro alerta, considerando que a aposta passa pela construção de casas/obra nova fora das cidades para a classe média portuguesa e estrangeira. 

Em julho foi dado a conhecer mais um índice de preços do idealista, no qual se conclui que o preço dos imóveis subiu 6,4% em Portugal no segundo trimestre (em Lisboa recuou 0,4%), face aos primeiros três meses do ano. Um mês depois, o INE confirmou a tendência, concluindo que os preços dispararam mais de 20% em Lisboa e Porto no primeiro trimestre do ano face ao período homólogo, com subidas de 20,4% e 22,7%, respetivamente. 

O “desabafo” de Ana Pinho

A secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, disse, em entrevista ao idealista/news, que “grande parte das famílias tem dificuldade em pagar uma habitação adequada”. A governante revelou ainda que o Executivo quer saber qual é o tempo médio de permanência de uma família numa habitação nos vários regimes existentes, estando a recolher mais informações sobre a matéria. 

Também a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) veio reclamar a necessidade/urgência de apostar na construção nova. Segundo Luís Lima, presidente da entidade, para satisfazer a procura existente em Portugal teriam de ser construídas pelo menos 70.000 casas por ano nas duas principais cidades do país, Lisboa e Porto. Em jeito de balanço, os mediadores revelaram que foram vendidas 477 casas por dia nos primeiros seis meses do ano, o que dá uma média de 86.335 alojamentos familiares, mais 19,8% que no mesmo período do ano passado.

Já em setembro, e sem surpresas, voltámos a dar conta de uma subida de preços das casas em termos trimestrais: 5,5% no terceiro trimestre face ao anterior. Também a Ci concluiu que os mesmos subiram 15,6% num ano

Portugal Vs outros países

Na reta final do ano ficou-se a saber que, afinal, Portugal ainda é um dos países da Europa onde é mais barato comprar uma habitação, de acordo com um estudo da APEMIP, que se apoia em dados do portal imobiliário internacional Property Guide.

No entanto, o BdP veio, uma vez mais, pôr “o dedo na ferida”, admitindo que há no país sinais que indicam a existência de uma sobrevalorização dos preços do imobiliário residencial. A instituição liderada por Carlos Costa considera que o facto do imobiliário – e correlacionadamente a banca – ser um dos setores que mais tem beneficiado do investimento estrangeiro e da fama que Portugal goza hoje em dia no exterior tem riscos. E não são poucos. Também a Moody’s se pronunciou sobre o tema, alertando para o irrealismo no preço das casas em Lisboa e Porto, Isto apesar de descartar a existência de uma bolha no setor.

Por fim, e caso estejas à procura de uma casa – ou a pensar em comprar uma –, deixamos-te algumas dicas que te podem ajudar a fazer a escolha certa. E mais: comprar imóveis em leilão pode ser uma boa opção, como podes ver neste guia.